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Vereadora sofre ameaças durante três dias, por mensagens, para votar a favor da cassação do prefeito de Martinópolis

Suspeito, de 58 anos, que trabalha como vigilante patrimonial na Prefeitura, já foi identificado, confessou as ameaças e teve o celular apreendido para a perícia técnica.

A vereadora Sonia Pires Bueno Chanquini (PSD) registrou na Polícia Civil um Boletim de Ocorrência por ameaça, nesta segunda-feira (22), contra um funcionário público municipal, de 58 anos, que mandou mensagens para a parlamentar, durante três dias, em Martinópolis (SP), exigindo dela um voto favorável à cassação do prefeito Marco Antonio Jacomeli de Freita (Republicanos), que é alvo de uma Comissão de Investigação Processante (CIP) na Câmara Municipal.

A Polícia Civil informou ao g1 que as mensagens, “com ameaças diretas a ela e aos filhos” da vereadora, começaram a ser encaminhadas na última sexta-feira (19) e perduraram até domingo (21).

A polícia ainda pontuou que, assim que o registro da ocorrência foi elaborado, as investigações foram iniciadas e, então, a identidade do suspeito, que trabalha como vigilante patrimonial na Prefeitura, foi descoberta ainda nesta segunda-feira (22).

“O funcionário público foi encaminhado à Delegacia da Polícia Civil, em Martinópolis, e confessou ser o autor das ameaças”, explicou.

Depois de prestar declarações, o homem foi liberado. O seu aparelho celular, que havia sido utilizado para fazer o envio das mensagens, foi apreendido e será “encaminhado à perícia técnica” para passar por análise.

O delegado Renato Pinheiro, responsável pelo caso, adicionou ao g1 que está “aguardando a representação da vítima para instaurar o Termo Circunstanciado de Ocorrência”.

Vereadora Sonia Pires Bueno Chanquini (PSD), de Martinópolis (SP) — Foto: Reprodução/Instagram

Vereadora

Em conversa com o g1, nesta terça-feira (23), a vereadora Sonia Chanquini disse que ficou “desesperada” com a situação.

“A princípio, eu ia abandonar tudo, pegar meu filho e ir embora para Portugal. Eu só ia avisar o Jurídico da Câmara depois e ia embora, porque nas ameaças ele falava para eu não abrir a boca, falou que tinha político envolvido, falou que tinha polícia e pessoas da minha igreja, e aí foi onde me desesperou”, citou.

Sonia ainda mencionou que, durante as ameaças, seu filho “estava chorando, com medo de matarem ele no caminho da escola”. “Enfim, eu não sabia o que fazer”, admitiu a vereadora.

Ela ainda ressaltou ao g1 que, mesmo após esta situação, mantém a posição de votar contra a cassação do prefeito.

“Só [votaria contra] se houvesse denúncia de corrupção e desvio do dinheiro público, aí sim eu voto para cassar”, concluiu a parlamentar.

Segundo o relato que a própria vítima apresentou à TV Fronteira, uma das mensagens ameaçadoras que lhe foram enviadas é a seguinte:

Uma das mensagens com ameaças que a vereadora Sonia Pires Bueno Chanquini (PSD) recebeu — Foto: Reprodução

Prefeito

O conteúdo das ameaças enviadas através das mensagens faz alusão à abertura da Comissão de Investigação Processante, aprovada na última segunda-feira (15), que irá apurar um pedido de cassação do prefeito de Martinópolis, Marco Antonio Jacomeli de Freita.

Na ocasião, a abertura da CIP na Câmara Municipal teve seis votos a favor e quatro contra.

Em nota à TV Fronteira, nesta terça-feira (23), o prefeito informou que foi notificado e, no prazo legal, apresentará a sua defesa.

Freita ainda lamentou a situação envolvendo a vereadora e mencionou que a “Polícia Civil está investigando e, com o autor das ameaças e a divulgação dos fatos, a cassação do prefeito tomará um outro rumo”.

O pedido de cassação foi feito por meio de um requerimento de uma moradora, no dia 8 de maio, e tem como motivo a procedência de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo, além de um caso de maus-tratos a um animal, ocorrido no ano passado. No pedido também constam supostos atos de improbidade administrativa.

Depois da manifestação do prefeito, será realizada uma nova votação para decidir se será dado andamento na investigação ou se a CIP será arquivada. (Por Izabelly Fernandes e Rodrigo Marinelli, TV Fronteira e g1 Presidente Prudente)

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