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Dracena registra casos da variante brasileira do coronavírus

A secretária-adjunta da Saúde em Dracena (SP), Geni Pereira Lobo Pesin, confirmou à TV Fronteira, nesta sexta-feira (5), que o município registrou casos da variante brasileira da Covid-19.

Através de coleta feita na cidade pelo Laboratório São Lucas, as amostras foram enviadas à empresa Dasa, uma rede de laboratórios, em Barueri (SP). O resultado dos exames apontou que, das 10 amostras analisadas, apenas uma não é a variante conhecida como P.1. Esta cujo resultado não comprovou a cepa o exame informou que se trata de outras linhagens.

Os resultados chegaram ao município nesta quinta-feira (4). Conforme a secretária-adjunta de Saúde, das 10 amostras coletadas, sete pessoas permanecem internadas. Os outros três pacientes morreram e foram infectados com a variante P.1.

A médica coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinada ao atendimento de pacientes com Covid-19 na Santa Casa de Misericórdia de Dracena, Aline Damasceno, informou que a confirmação da P.1 na cidade muda completamente todo o esquema de trabalho no enfrentamento da pandemia.

“Hoje estaremos em reunião o dia todo para tratar sobre isso. Iremos entrar em contato com o Hospital Emílio Ribas, procurar uma alternativa, saber um pouco mais a respeito dessa cepa. O comportamento dos pacientes, a evolução da doença é totalmente diferente e muito mais agressiva, isso já havia nos assustado com a evolução dos nossos pacientes, requer um pouco mais de estudo e de cuidado da nossa parte. Vamos tentar gerar um novo plano de ação para poder atender esses pacientes mais precocemente para poder intervir e agora buscar informações para poder montar um protocolo de atendimento para isso. Todos nós estamos muitos cansados, é muito complicado ver tanta gente nova morrendo. Vamos precisar preparar a equipe para atender”, afirmou a médica.

Ela disse que é uma cepa mais agressiva, tem uma facilidade maior de disseminação e uma letalidade maior pelo fato de ter mais facilidade de adentrar a célula humana.

Variante brasileira do coronavírus — Foto: Reprodução/GloboNews

“A princípio, ainda o melhor é o isolamento social e evitar pegar a doença”, alertou Aline Damasceno.

No dia 23 de fevereiro, o prefeito de Dracena, André Kozan Lemos (PATRIOTA), autorizou a coleta de amostras para identificar se a variante brasileira do novo coronavírus, conhecida como P.1, ou “variante de Manaus”, já havia infectado algum morador do município.

O anúncio foi feito em uma transmissão ao vivo em rede social. Na ocasião, o chefe do Poder Executivo disse que não havia comprovação científica sobre a circulação da nova variante, mas que “indícios” mostravam essa possibilidade.

“Todos os indícios levam que a gente esteja já com essa cepa nova. Isso exige que a gente tenha redobrado os cuidados, principalmente os jovens, que andaram abusando, participando de festas clandestinas, nós tivemos o óbito de uma moça de 25 anos ontem, outra de 30 [anos] na semana passada, outra de 27. Todos os indícios levam que a gente esteja convivendo com a nova cepa. Além de tirar a vida de jovens, é um vírus que é mais rápido, evolui muito depressa. Quando a pessoa começa a ter falta de ar, ela já tem comprometimento pulmonar muito severo, e a gente não sabe qual vai ser o índice de sucesso do tratamento dessas pessoas”, frisou o chefe do Poder Executivo no dia 23 de fevereiro.

Até esta quinta-feira (4), de acordo com o boletim epidemiológico oficial, Dracena registrou 3.402 casos positivos de Covid-19 e 85 mortes provocadas pela doença. O município também informou, nesta quinta-feira (4), o registro de sete mortes, sendo o recorde de divulgação de falecimentos em um único dia, em apenas uma cidade, na região de Presidente Prudente.

Maior carga viral

Um estudo feito por pesquisadores da Fiocruz aponta que adultos infectados pela variante brasileira P.1 do coronavírus, identificada primeiro no Amazonas, têm uma carga viral – quantidade de vírus no corpo – dez vezes maior do que adultos infectados por outras “versões” do vírus. Uma maior carga viral contribui para que a variante se espalhe mais rápido.

A pesquisa ainda não foi revisada por outros cientistas nem publicada em revista, mas está disponível on-line.

“[Se] a pessoa tem mais carga viral nas vias aéreas superiores, a tendência é que ela vai estar expelindo mais vírus – e, se ela está expelindo mais vírus, a chance de uma pessoa se infectar próxima a ela é maior”, explicou Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz Amazonas e líder do estudo.

Os pesquisadores analisaram 250 códigos genéticos do coronavírus durante quase um ano. A amostragem cobriu o primeiro pico da doença, em abril, e o segundo, no final do ano passado e no início de 2021.

Eles perceberam que essa maior quantidade de vírus não acontecia, entretanto, nos homens idosos (acima de 59 anos). Uma possível explicação para isso é que a resposta imune de homens idosos tende a não ser tão eficiente de forma geral.

“Em homens mais velhos, a resposta imune já não consegue responder tão eficientemente, e aí não teve diferença sendo P.1 ou o outro [vírus]”, apontou Felipe Naveca.

Também é possível que isso tenha acontecido nesse grupo porque a quantidade de pessoas analisadas nessa faixa etária foi menor, explicou o pesquisador Tiago Gräf, também autor do estudo, em uma publicação na rede social Twitter.

Felipe Naveca afirmou, entretanto, que não há relação entre quantidade de vírus no corpo e gravidade da doença ou, até mesmo, presença deles.

“Carga viral não está relacionada com gravidade – a gente tem pacientes com alta carga viral e sintomas muito leves ou até sem sintomas”, disse o pesquisador.

A P.1 já vinha sendo apontada por vários pesquisadores ao redor do mundo como mais transmissível, por causa de mutações que ela sofre na região que o vírus usa para infectar as células humanas.

Relaxamento e disseminação

Os pesquisadores também apontaram que o espalhamento da P.1 se deu por uma combinação de fatores relacionados ao próprio vírus e ao relaxamento do distanciamento social no Amazonas.

Os cientistas indicaram que as chamadas intervenções não farmacêuticas – como uso de máscaras e distanciamento social – em abril do ano passado foram “suficientemente eficazes” em reduzir a velocidade de transmissão do vírus no Estado, mas não em colocar a epidemia sob controle.

Isso permitiu ao vírus sofrer mutações e contribuiu para o surgimento, em novembro, da P.1 – que logo se tornou dominante.

“A falta de distanciamento social eficiente e outras medidas de mitigação provavelmente aceleraram a transmissão precoce da variante de preocupação [VOC, na sigla em inglês] P.1, enquanto a alta transmissibilidade desta variante alimentou ainda mais o rápido aumento de casos de SARS-CoV-2 e hospitalizações observados em Manaus após seu surgimento”, pontuaram os pesquisadores brasileiros.

Eles reforçaram, ainda, que “a fraca adoção de intervenções não farmacêuticas, como ocorreu no Amazonas e em outros estados brasileiros, representa um risco significativo para o contínuo surgimento e disseminação de novas variantes”. (Por TV Fronteira e G1 Presidente Prudente)

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